terça-feira, 12 de junho de 2007

UMA FLOR NÃO É UMA FLOR


Paul Celan (1920/1970)


"A morte é uma flor que só abre uma vez.

Mas quando abre, nada se abre com ela.
Abre sempre que quer, e fora de estação.

E vem, grande mariposa, adornando caules ondulantes.

Deixa-me ser o caule forte da sua alegria."


"A Morte é uma Flor" (Paul Celan)

A quem se dirige a prece final?

Do "roseau pensant" de Pascal, imagem da fragilidade humana, a este caule forte do voto de Celan, forte porque aceita a alegria que lhe é mais estranha.

A morte como órgão sexual do nada que desabrocha para o ser.

E este outro poema:

"No brilho da terra
pedir o sono
à virgindade do céu
ao lado."

Não o brilho que se deseja eternizar, sob um céu de olhos fechados, mas o brilho de que nos temos de defender pela inocência.

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