sábado, 17 de dezembro de 2011

O FOGUETÃO PLATÓNICO

A igreja de S. Simpliciano, em Milão

"Simpliciano elogiou-me por eu não ter tropeçado nos escritos de outros filósofos, cheios de falácias e engano, 'atrás dos miseráveis elementos deste mundo', enquanto que nos Platonistas, a cada volta, o caminho leva à fé em Deus e na sua Palavra."


"Confissões" ( Santo Agostinho)




É o maior filósofo da Igreja que "recupera" para o Cristianismo, um Platão precursor, espécie de Baptista a anunciar a vinda de outro maior do que ele.

Com isso, não fez mais do que outros doutrinários, estabelecendo, 'a posteriori', as origens remotas de, por exemplo, o materialismo.

Mas a teoria das Ideias platónicas, fazendo deste mundo e dos seus "miseráveis elementos" uma aparência da realidade de que só o filósofo que emergiu da célebre Caverna pode ter a experiência "ofuscante" (pois a partir dela fica incapaz de ver o mundo como era dantes - é verdade que recebe, ao mesmo tempo, uma missão de libertar os outros e de se habituar de novo às sombras), é fundamental para a separação entre a Igreja e o mundo.

A Natureza não seria, então, uma epifania, mas um lugar de exílio, e o próprio corpo uma prisão. Com a força de propulsão de um foguetão, a filosofia grega fez descolar um cristianismo incipiente,  para o melhor e para o pior.

Tudo isto é problemático e, de certo modo, exterior ao fenómeno religioso. A prova é que o "dolorismo" e a "morte para o mundo" tiveram o seu tempo, mas são hoje temas menores.

Por isso a influência do platonismo, se dotou a doutrina de alguns dos seus fundamentos filosóficos, condicionou  a vida religiosa num sentido para fora do mundo que não saberíamos  dizer se faz parte da força ou da fraqueza da Igreja.

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