domingo, 8 de junho de 2008

O TRIBUNAL DE KANT


Immanuel Kant (1724/1804)


Segundo Gilles Deleuze (entrevista de 1988/89), Kant criou um sistema de juízo. A partir dele, estabelece-se o tribunal da Razão, muito na esteira das ideias da Revolução Francesa (seria interessante estudar a influência da virtude republicana, tal como a entendia Robespierre, por exemplo, no racionalismo kantiano).

Depois dos filósofos terem procurado eliminar o erro, a ilusão e a estupidez (bêtise), nos séculos anteriores, Kant encontrou, finalmente, um método da razão se certificar a si mesma.

Este trabalho de rigorosa depuração (e demarcação) ia muito para além da lógica e permitiu delimitar o campo científico, que se pôde desenvolver no quadro dum novo realismo.

Compreende-se o que esse progresso teve de deixar de fora, e como chegamos à teoria do homem "unidimensional" que está por detrás das ideias económicas em voga no Ocidente.

Por isso, o esforço de Deleuze era no sentido de escapar ao tribunal de Kant. E isso vê-se nas teses imanentistas do "Anti-Édipo" que escreveu com Félix Guattari nos anos setenta.

Mas é caso para perguntar se essa via não condena definitivamente a liberdade.

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