sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

JERUSALÉM

bibleetnombres.online.fr


"Se eu te esquecer, Jerusalém, que a minha mão direita seque. Que a língua se me cole ao céu-da-boca, se deixar de pensar em ti, se não te preferir Jerusalém a todas as outras alegrias (...)"

(Sl 137, 5-6)


Que mortal esquecimento é este? Não é o duma cidade real, a pátria "aqui em baixo". E não é esquecer  o que nos devemos a nós próprios, a alma individual.

Régis Debray ("Dieu: un itinéraire") já nos chamou a atenção para a revolução do portátil, o essencial da cultura num livro que se leva consigo para qualquer lugar da terra.

Mais do que a invocação de Jeová, que essa pode reduzir-se ao diálogo do crente com o seu deus, invocar o nome da cidade é sentir-se parte dum povo que vive em comum na terra da alucinação e na terra sempre estrangeira.

Por isso, a entidade geo-política que dá pelo nome de Israel, de certo modo, destruiu a cidade celeste.

Este regresso à Terra Santa do povo judaico, permiti-lhes, de facto, esquecer Jerusalém. Nenhuma utopia sobrevive à prova do real.


0 comentários: