quinta-feira, 9 de julho de 2009

VALORES


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"Eu nada direi portanto além de que os valores emergem em conjunto com os problemas; que os valores não poderiam existir sem problemas; e que nem os valores nem os problemas podem derivar ou de qualquer outro modo ser obtidos dos factos, apesar de muitas vezes pertencerem a factos ou estarem com eles relacionados."

"The Unended Quest" (Karl Popper)


Deus não tem problemas, logo, segundo a tese de Popper, valores tampouco. E, evidentemente, só existem valores eternos na medida em que formos eternos, o que não é o caso.

Este método pode esclarecer, de facto, muita ambiguidade no nosso tempo de mediatização global. É verdade que através da eficiência e do alcance das comunicações, ninguém pode ignorar o que se passa nos antípodas, mas também é verdade que, na maioria dos casos, não se pode fazer nada, portanto, como diz o povo, "o que não tem remédio, remediado está". Existe um problema nos antípodas, mas não no meu mundo real, quando muito é um problema da minha consciência que não se pode facilmente desenvencilhar duma responsabilidade paradoxal.

Além disso, há problemas não resolvidos, que podem ser um obstáculo à vida enquanto não se encontrar uma solução, e problemas insolúveis ( como o da verdade sobre o Universo ), com os quais vivemos à custa duma solução simplesmente credível ( o Big Bang ), ou ilusória.

Os valores que emergem com os problemas são o quê em relação a uma solução? Será simplificar demasiado dizer que o valor do que podemos fazer para minorar o sofrimento à nossa volta depende da eficácia da nossa acção, mas que perdermos o apetite por causa das imagens da miséria no mundo não tem qualquer valor?

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