quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SOMBRAS NA CAVERNA


David Hume (1711/1776)


"Hume queria humilhar a razão demonstrando a miríade das suas fraquezas. É incapaz de estabelecer a mais simples das verdades. Só o hábito pode mostrar que os acontecimentos têm causas, ou que matar o próprio pai é um crime. As expectativas da razão sobre o mundo levam à desorientação e ao erro. Antecipando uma ordem no mundo que este não pode afectar, a razão impede-nos de ver o mundo tal como é e de actuar em conformidade. A razão é a bússola que continuamente nos guia (se é capaz de guiar de todo) na direcção errada."

"Evil in modern thought" (Susan Neiman)


Lembro-me de, em tempos mais heróicos, imaginar um centauro a dirigir a economia, provocando com a sua parte equídea toda a irracionalidade que é patente aos olhos de toda a gente.

Apesar de Aquiles ter sido educado por Chiron, um desses seres mitológicos, parecia-me que um centauro nunca seria um bom piloto.

Quanto mais racional não era a ideia de uma só vontade, bípede e esclarecida, exercendo em nome de todos esse controle!

Kant foi acordado do seu "sono dogmático" por este pacífico escocês chamado David Hume e acabou por, no essencial, lhe dar razão.

A razão ajuda-nos, decerto, a resolver problemas. Mas o que é um problema que nem sequer podemos formular? Fora das questões práticas, o que consideramos como dados do problema são simples sombras cavernícolas.

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