quinta-feira, 13 de maio de 2010

O CÂNONE GREGO


Paestum


"Nunca se teriam feito na Grécia contemporânea templos colossais como em Selinunte e Agrigento; nem se teriam acumulado, como aconteceu em Agrigento, tantos templos e todos grandiosos num só vale. Não se encontram na Grécia, como aqui, cinquenta vasos todos num único túmulo. Já existia então uma tendência sumptuosa e quase megalómana, na Sicília; a que, depois do domínio espanhol se chamou spagnolesca."

"Dom Bastiano, arqueólogo romeno naturalizado italiano, in "Viaggio in Italia" de Guido Piovene)


"Os verdadeiros Gregos atinham-se aos cânones" diz o mesmo arqueólogo para distinguir "a fantasia, o empirismo, o realismo, o estro individual" da arte antiga na Sicília.

O respeito absoluto pelo cânone não impediu alguns artistas de afirmarem a sua superioridade. Mas não do modo pessoal de que a emigração no sul da península itálica nos dá os primeiros indícios. A originalidade do artista mede-se pela perfeição do seu trabalho, como se, de acordo com a ideia platónica, não houvesse nada a inventar, mas tudo devesse ser "recordado" dum modelo transcendente.

O ideal da harmonia e da medida parece explicar o classicismo helénico, que não teria podido produzir a arte colossal de Paestum e de Selinunte, o excesso de Agrigento. Mas quando se sabe que os Gregos tinham uma palavra para significar o contrário daquele ideal, a hibris (que o Larousse define assim: "Entre os Gregos, tudo o que, na conduta do homem, é considerado pelos deuses como desmesura, orgulho e devendo concitar a sua vingança."). só podemos admirar uma ideia da arte e da arquitectura tão sábia e tão realista em relação às paixões que procura preencher o mundo com provas contra elas.

1 comentários:

Anónimo disse...

Você me ajudou muito!!!