"Pather Panchali" (1955-Satyajit Ray)
A pobreza acossa-os como um cão raivoso.
O pai tem de procurar longe o trabalho e fica quatro meses sem mandar uma carta.
Durante um aguaceiro, Durga, a jovem irmã de Apu, e perante o olhar atónito deste, entrega-se à chuva, numa cena de uma bela sensualidade. Mas o resfriado atira-a à cama e traz-lhe a morte.
Quando o pai volta, sem a fortuna prometida, com os magros presentes, encontra o luto e a casa destruída pela tempestade.
A família decide voltar para Benares, onde ele pode, pelo menos, ganhar a vida com as suas orações.
Vemos os três rostos olhando a estrada da carroça, a caminho da grande cidade, como se os melhores tempos tivessem ficado para trás.
A descoberta, na planície para lá do rio, do monstro fumegante sobre os carris é um momento de grande poesia.
E a eterna luta da velha tia pela sua côdea e o seu escaninho é a imagem da necessidade nua, como o é o aparente egoísmo da mãe de Apu, que a maltrata, porque a miséria lhe impõe escolhas desumanas.
Durga é acusada de ter roubado um colar a uma outra rapariga. Coisa fácil de acreditar, dados os seus hábitos selvagens e o gosto de regalar a anciã com os frutos que pilhava desde criança no pomar alheio.
Depois da sua morte, Apu descobre o colar escondido pela irmã e atira-o para o meio dos nenúfares do pântano. E esse gesto simboliza não só o perdão, como a piedade que é devida aos mortos.
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