sábado, 10 de dezembro de 2005

CLARUM PER OBSCURIUS


Jules Lagneau (1851/1894)

"Para o meu antigo aluno,
Maurice Toesca.

Este livro, dizia-lhe eu, tem esta facilidade que consiste em ser difícil, e esta clareza que vem duma extrema obscuridade. O meu mestre deu-me a conhecer a sua divisa, Clarum per obscurius que é um grande segredo. Leia pois estas etapas do homem (como eu gosto de dizer) e pense em mim até me impedir de morrer.

De resto, não se morre!

Coragem, pois, meu querido amigo."

(Dedicatória de Alain num exemplar de "Les Dieux")


Em Esmoriz, o céu. O azul esconde o firmamento, como um olhar que não nos revela a alma.

Não há astros, nem lua, a luz apenas e a cor.

Pelo esclarecimento, a treva cada vez maior. O contrário da divisa de Lagneau, "clarum per obscurius".

Assim na linguagem de todos os dias a evidência esconde as espirais do passado.

Por isso a "tabula rasa" é uma utopia de geómetra.

A abolição dos exames a português parece um ovni vindo dessa terra que não existe em lado nenhum.

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