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| José Ames |
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| Michel Houellebecq |
"Os homens e as mulheres que frequentam as 'boîtes' para casais renunciam rapidamente à procura do prazer (que pede 'finesse', sensibilidade, lentidão) em proveito de uma actividade fantasmática, bastante insincera no seu princípio, de facto, directamente decalcada dessas cenas de 'gang bang' dos pornos 'moda' difundidos pelo Canal+."
"Les particules élémentaires" (Michel de Houellebecq)
Aquilo que Pasolini dizia sobre a repressão da palavra que consiste em obrigar a falar, parece aplicar-se à experiência do prazer, afinal, muito mais complexo, nos humanos, do que qualquer satisfação dos impulsos naturais. Naturais, nem se pode dizer porque a cultura dos grupos entra nisso.
Assistiremos, depois deste fracasso do 'animal triste' capaz de entregar a outrém (e à moda como no caso acima) a gestão do seu prazer, ao regresso do princípio do 'fruto proibido'?
Os homens não precisam, realmente, de 'cultivar' o corpo, conforme a ideia que é vendida no mercado adjacente da saúde. No entanto, a crença existe e até é provavelmente útil do ponto de vista social.
A propaganda do prazer acima de tudo tem ainda mais adeptos, como é natural. Esses estão dispostos a trocá-lo pela compensação fantasmática de que fala o autor francês.
Perguntar-se-á porquê. 'Performance' é a palavra. É muito mais fácil do que o prazer.
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| George W.F. Hegel |
Ludwig Van Beethoven (1770/1827)
"Um viajante inglês, Russel, que o viu ao piano, por volta de 1825, diz que quando ele queria tocar suavemente, as teclas não soavam, e que era pungente nesse silêncio seguir a emoção que o animava, no seu rosto e nos seus dedos crispados."
"Beethoven" (Romain Rolland)
Este testemunho e o do seu amigo Schindler sobre a representação de "Fidélio" em 1822 e a terrível depressão que se seguiu: "(...) era evidente que ele não ouvia nada do que se passava no palco. Tardava consideravelmente o andamento; e enquanto a orquestra seguia a sua batuta, os cantores apressavam-se por sua conta.", são o retrato da trágica solidão dum homem que, sendo afável e social, teve de escolher por divisa:
"Durch Leiden Freude" (a alegria através do sofrimento).
Como outro Prometeu agrilhoado no seu Cáucaso de silêncio, perseguido pela desgraça, esculpiu a vigorosos golpes de vontade o deus interior que se tornou música.
Um moderno Plutarco não deixaria de erigir a vida de Beethoven em exemplo de heroísmo.
Infelizmente, parece haver uma tarefa mais urgente a propor à juventude: a de se descobrir e si mesma e de inventar os seus próprios valores. De "seguir o que sente."
"O mal do Ocidente - quem há que não o sinta? - é não ter a tripa sempre limpa."
Alexandre O'Neil
Quanto cristianismo e ironia não se concentram nestas escassas palavras!
Este Ocidente (ainda o é hoje?) tão orgulhoso das suas realizações técnicas e da sua democracia, que razão lhe assiste para uma pretensa superioridade, se convive com a putrefacção?
http://sergecar.club.fr/cours/raison1.htm
"A fé é o instinto da acção"
Quando descremos de tudo, podemos ainda ter razões funcionárias. "A razão transmite, vulgariza, normaliza; não cria." (Allan Bloom)
A outra vertente do dístico pessoano poderia ser, pois, qualquer coisa como: "a razão é a alma da administração".
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| http://news.xinhuanet.com/p |
"a 'selecção natural', no sentido darwiniano da expressão, não chega para explicar a miraculosa coincidência entre o aspecto imitativo e o comportamento imitativo, nem há que recorrer à teoria da "luta pela vida" quando um expediente de protecção é levado ao ponto da subtileza mimética, à exuberância e a um luxo tão excessivos tendo em vista o poder de apreciação que existe no seu predador. Na natureza descobri as delícias não-utiltárias que eu andava a procurar na arte.
Vladimir Nabokov ('Fala, Memória')
Este excesso da natureza parece guiar-se por um princípio contrário ao da razão e da economia. Mas, provavelmente, é apenas o resultado da aleatoriedade que existe no mundo natural. Assim como no movimento browniano, a homogeneização de um liquído com partículas suspensas é conseguida apenas pelo jogo do acaso nessas moléculas.
Enfim, o aleatório nas coisas humanas nunca poderá corresponder a um fim consciente. Talvez seja por isso que os economistas, por exemplo, falham tão redondamente.
Por outro lado a poesia é o que mais se aproxima do luxo da natureza. Isso acontece porque não tem um fim e o que alcança é quase só por acaso.