
M.A.S.H. (1970-Robert Altman)
Talvez a questão mais interessante levantada pelo filme de Robert Altman "M.A.S.H." (1970) seja a de saber se esta paródia pode ser, como defendem os seus panegiristas, um filme contra a guerra.
A vida neste hospital de campanha, durante a guerra da Coreia, é uma divertida intriga, graças sobretudo ao elemento sexual e ao informalismo dos diálogos e da representação.
Os feridos e os mortos não chegam a ter existência. Por muito que sangrem, fazem parte dos adereços, como os frascos de soro, as macas e as tendas.
É verdade que ferozmente se troça dos poucos militaristas do campo e que a justificação da guerra está de todo o ausente do discurso.
Parece que os americanos transportaram para o campo militar o seu modo de vida e uma partida de rugby ocupa mesmo uma parte desproporcionada do filme, como a sugerir que a guerra não é outra coisa do que aquela luta pela bola no meio da lama e dos encontrões.
Enfim, parece-me mais uma comédia que se aproveita de uma história de guerra, onde a vida reclama os seus direitos, quaisquer que sejam as dificuldades, do que um filme contra a guerra.
Se a guerra não interrompe a vida nem impede os americanos de jogar rugby, o que haverá nela de atroz?
0 comentários:
Enviar um comentário