quarta-feira, 14 de outubro de 2015

RENOVAÇÃO DA POLÍTICA?

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"Com o tempo, apercebi-me que há na política dois tipos de pessoas: as que aceitam a política com os seus defeitos para chegar ao poder e as que só aceitam a política depois de tudo o resto (a Europa, o capitalismo, o “sistema”) ter mudado. Acho que é necessário um terceiro tipo de pessoas: aquelas que entendem que para mudar as coisas é preciso mudar a política. Essas estão maioritariamente fora da política porque acreditam que na política não há lugar para elas. É preciso levar a política até elas."

(Rui Tavares, no 'Público' de hoje)

É bem verdade que se a nossa participação cívica depender de um acordo sobre as 'grandes ideias', abstractas, por natureza, mas que dividem os homens tanto quanto as religiões, podemos adiar a nossa responsabilidade até ao fim dos tempos, 'protegidos' pela pureza dos nossos princípios. Veja-se o que custou à sociedade portuguesa a auto-exclusão dos partidos de esquerda.

Rui Tavares sugere outra coisa interessante no seu 'diagnóstico'. É que esse isolamento da esquerda, por não querer 'sujar as mãos' na realidade social e política do capitalismo, tal como ele hoje se apresenta, não configura uma acção política. A frase é: "as (pessoas) que só aceitam a política depois de tudo o resto". Pelo contrário, temos de inferir, é uma abstenção da política. Uma hibernação que pode durar outra idade polar, cujo único objectivo é conservar a pureza da doutrina. É por aqui que a semelhança com as sociedades religiosas salta aos olhos.

E, enfim, com este processo pós-eleitoral, parece despontar a esperança numa renovação da política, que deixará de ser a realidade amputada que tanto tem sobrecarregado os defeitos próprios da política.



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