terça-feira, 11 de outubro de 2016

PROGENITURAS



"O próprio Heidegger, já no fim da vida, fez uma abertura à Nova Esquerda. A fórmula mais sinistra do seu Discurso Reitoral de 1933 era, apenas com ligeiras alterações, o slogan dos professores americanos, que colaboraram com os movimentos dos estudantes da década de 60: "O tempo da decisão passou. A decisão já foi tomada pelos jovens da nação alemã."

Diz Allan Bloom ainda: "em ambos os países, as universidades cederam sob a pressão dos movimentos de massas, e foi assim em grande medida porque pensavam que esses movimentos possuíam uma verdade moral superior a qualquer que a universidade pudesse proporcionar. A responsabilidade era entendida como sendo mais profunda do que a ciência, a paixão do que a razão, a história do que a natureza, os jovens do que os velhos."

"The Closing of the American Mind"

Devemos distinguir esta crítica, publicada já em 1987, do pensamento que se vai fazendo moda de ver nos desmandos dos sessentistas a origem de todas as crises presentes, como a da autoridade, da família e da educação.

Porque o princípio por detrás do Maio de 68, que representou uma ruptura "libertária" (e sem qualquer finalidade) com todos os fundamentos da nossa cultura, actuava já no celebre Discurso Reitoral.

E aí, o pensamento, na sua mais alta expressão, a da Filosofia, abdicava perante a "Vida", representada na força genésica da juventude e no facto consumado.

É este corte abstracto com o passado, esta refundação no caos que caracterizam o niilismo.

2 comentários:

Maria Helena disse...

Os votos de um Natal com o coração dilatado de sorrisos e afectos.

José Ames disse...

Agradeço e desejo que não lhe faltem nenhuma daquelas coisas, também.