quarta-feira, 2 de julho de 2014

A MÃE PREGUIÇA

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"Uma vez que somos limitados pelo SHAQV (só há aquilo que vês) e adversos ao esforço mental, tendemos a tomar decisões conforme os problemas surgem, mesmo quando somos instruídos de forma específica para os considerarmos em conjunto."

"Pensar, Depressa e Devagar" (Daniel Kahneman)


Se tivermos em conta que as capacidades superiores do nosso cérebro implicam um grande consumo de energia, percebemos como pode ser vital evitar o esforço desnecessário. Até chamamos preguiça mental a essa relutância em pensar e concentrar toda a atenção que, muitas vezes, é indispensável para compreender.


A maioria das pessoas entrega-se gostosamente ao hábito e às fórmulas consabidas. Reduz intuitivamente a profundidade do mundo a um plano superficial, sobre o qual têm o sentimento de ter mais controlo.

Que sempre tenha havido uma 'especialização' dos altos consumos cerebrais é um 'milagre' do género da selecção das espécies. E que a esses homens não seja atribuído um estatuto quase 'divino' como aos atletas na Antiga Grécia, ao mesmo tempo que não deixa de ser uma ingratidão, é uma prova de grande maturidade da democracia.

No fundo, esta repartição social da despesa de pensar, e, no plano do indivíduo, entre o pensar depressa e o pensar devagar, para empregar os termos de Kahnman, apesar da 'evidência' retroactiva que não pode deixar de nos afectar a todos, estava já em germe na sociedade ateniense, com a sua chocante divisão entre homens livres e escravos...

 

 

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