terça-feira, 9 de junho de 2015

SECULARIZAÇÃO

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"Os livros de Copérnico e de Galileu permaneceram no índex até 1822. Três séculos de obstinação, é giro."

"Diários" (Albert Camus)

É a medida da aceleração do nosso tempo, este gritante desfasamento da Igreja. As ideias, de facto, podem viver um tempo incomensurável, que nenhum Matusalém pode alcançar. Nenhuma ciência de organização pode dar conta deste fenómeno. Muitos impérios ruiram, entretanto, mas nenhum se reclamava do 'poder espiritual' de que falou Comte. A classe sacerdotal do Antigo Egipto é o exemplo maior da 'intemporalidade' da religião, com o picante pormenor de ser também o modelo de todas as burocracias. Como se sabe, a burocracia tem o génio de se reproduzir a si mesma.

Mas, ao mesmo tempo, a Igreja não se quer fechada, e corre necessariamente os riscos de 'importar' o mundo moderno, e de cada geração começar por ser crítica do seu famigerado 'imobilismo'. Que se passará, então, quando a 'mensagem' da Igreja se tornar parte da concorrência geral entre os meios/mensagens gerados pela sociedade tecnológica?

Talvez isso nos ajude a perceber que o dito 'desfasamento' é também uma questão de autonomia e de sobrevivência. A Igreja, simplesmente, não pode 'coincidir' com o nosso tempo, sob pena de deitar a perder o projecto de um outro mundo...

 

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