quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A VIRGEM VERMELHA


Simone Weil (1909/1943)




"Ela acabou por considerar as metáforas sexuais como legítima propriedade da experiência mística e teria talvez admitido alguma verdade mesmo nas mais lúbricas hipóteses da psicanálise."


(Thomas Nevin, "Simone Weil, Portrait of a self-exiled Jew" )



A 'biografia' de T. Nevin sobre Simone Weil é notável a diversos títulos, mas o mais interessante é sem dúvida, sendo ele americano,  o seu ponto de vista 'exótico' em relação à tradição espiritual francesa.

O que ele diz acima baseia-se num preconceito fortemente 'materialista' que serve com demasiada facilidade à sua 'iconoclastia' daquela tradição espiritual e mística.

Os americanos, como sabemos, são muito dados a todas as formas sociais da religião. O seu proselitismo religioso é o mesmo que vemos na política. Estamos habituados a ver nas nossas ruas esses pares de jovens que levam 'the good word' a todo o mundo, inconscientes de que a sua ingenuidade possa parecer a muitos sinistra.

A expressão de Nevin sugere que a paixão de Simone por essa figura de Cristo já anunciada pela Grécia, a sua 'queda' no misticismo, enfim,  tem a natureza duma 'sublimação' sexual. Para uma mentalidade assim, o facto de ser muito provavelmente virgem explica muita coisa. Na verdade,  explica talvez demasiado.

Parece que a mesma condição ou a total abstinência nunca prejudicaram (antes pelo contrário) qualquer das personalidades masculinas que a Igreja ou o povo santificaram.


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