"Deus é a verdade...Não perguntes o que é a verdade; porque imediatamente a escuridão das imagens corporais e as nuvens de fantasmas te virão ao caminho, perturbando a calma que ao primeiro pulsar brilhou para ti, quando eu disse verdade."
"De Trinitate" (Santo Agostinho)
'Línguas de perguntador' era a resposta que se dava antigamente às crianças demasiado inquisitivas. Porque as crianças têm de perguntar, embora também seja natural que perguntem o que não poderão compreender através de qualquer resposta. Mas é a verdadeira maneira de aprender quando tudo ultrapassa a sua compreensão.
Alain dizia, por isso, que o poema soletrado pela criança lhe transmite qualquer coisa de precioso, se bem que não compreenda as palavras e o 'significado' do poema. Isso virá mais tarde, porque, na verdade, todos aprendemos a falar imitando os sons primeiro incompreensíveis, mas fiéis, pronunciados pela mãe.
Pode ser que Deus, no exemplo de Agostinho, pertença à constelação do pai, e realmente o Pai é uma das figuras da Trindade, ela própria um modelo do mistério em que devemos crer, porquanto pareça absurdo.
O conselho do bispo-filósofo é o de que tomemos o nome de Deus como se não estivesse ao nosso alcance nenhuma esperança de entendimento. Aos olhos da doutrina agustiniana, seremos sempre 'filhos de Deus' a cuja ânsia de saber (ou de perguntar), a Igreja só pode responder com 'línguas de perguntador'.
Tudo isso parece uma 'história da carochinha' para o 'sapiens sapiens'. Mas, de facto, o homem só pode julgar que sabe.
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