domingo, 27 de julho de 2014

O MAL FRANCÊS

 

http://www.bibleetnombres.online.fr/images69/mains_complots.jpg

"O mal francês, sabe-se qual é: inventam-se sempre novos estratos, mas é-se incapaz de suprimir outros. A minha pergunta é a seguinte: por causa da descentralização, não há um degrau a mais e, se ele se encontra ao nível local, o senhor suprimiria essa colectividade que dirige?"

(Jean-Louis Le Moigne, no Colóquio de Cerisy, com Edgar Morin, 2007)

Por alguns séculos, a influência dominante sobre o nosso país foi a da França. Amália cantava ainda "Lisboa não sejas francesa" e o escritor que mais fundamente estabeleceu o modelo da crítica política moderna e da auto-depreciação nacional foi Eça, que assestava o seu monóculo furioso no ambiente do 202 dos Campos Elíseos sobre a choldra nacional. Se Pulido Valente tivesse metade do seu talento era caso para falar de ressurreição.

É verdade que também por cá o 'mal francês' não é só uma doença sexual. A burocracia, que Napoleão levou à perfeição, com o seu espírito legislador militar, é uma espécie carnívora transplantada com todo o sucesso para o solo pátrio.

É por isso que os problemas mais vivos da nossa sociedade começam por ser combatidos com doses homeopáticas de organização que se incrusta no sistema e é quase sempre inamovível. As mudanças necessárias fazem-se por camadas sobrepostas que redundam em expansivas 'prateleiras'.

Descentralizar? Quanta redundância organizativa isso acabaria por causar? É como a assistência social da 'sociedade civil'. Pagos os custos da organização, sobrará alguma coisa para os necessitados?

 

 

0 comentários: