sábado, 21 de julho de 2007

O GIGANTE COM PÉS DE BARRO



Não nos podemos admirar que as companhias que gerem o "sistema" de saúde americano tenham chegado à política do quanto menos serviço, mais lucro. Nem que tenham todo um departamento de médicos e advogados para regatear o que é devido e fugir às responsabilidades sempre que possível.

O passado dos doentes é examinado à lupa por verdadeiros detectives para encontrarem a mais pequena contradição ou omissão que as desobrigue do pagamento.

Tudo isso Michael Moore vem mostrar ao mundo em "Sicko", como um escândalo, e essa nova sensibilidade é, decerto, uma das consequências da comunicação global.

Os Americanos já não podem acreditar que o seu modo de vida é o melhor dos modos de vida e o mais livre, quando alguns milhões dos seus compatriotas só são livres de morrer sem tratamento e de cuidados básicos.

Nesta realidade vergonhosa e nesta desumanidade, que os próprios privilegiados terão de passar a olhar como tal, temos, se calhar, o segredo da alta competitividade de Além-Atlântico.

É porque não se contabilizam todos os custos (incluindo os humanos e sociais) que os lucros das empresas e os ordenados dos gestores conseguem atingir verbas tão astronómicas.

E, evidentemente, a ideia de mercado que justifica esta cegueira económica, com fatais repercussões para o povo americano e para o planeta, é a dum mercado em que só entram, grosso modo, a finança, a produção e o consumo, deixando de lado, como se não fossem custos reais, ou devessem ser suportados pelo resto da humanidade, os efeitos colaterais na situação social e no ambiente.

É assim que temos de perguntar, mesmo reconhecendo as virtudes da economia de mercado, que espécie de mercado é este que deixa de fora informação tão vital para o futuro da própria economia?

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