sexta-feira, 11 de maio de 2007

PRAGMATISMO E PARANÓIA



"A desmoralização resulta da preponderância das circunstâncias sobre os princípios. Quem considera a desmoralização como o maior dos males não deve deixar de examinar o contrário, pois quando os princípios são mais fortes que as circunstâncias - como sucede em comunidades ascéticas, em subculturas jacobinas e em sistemas totalitários -, o princípio impõe a sua encarnação à custa de todo o resto da vida."

"A Mobilização Infinita" (Peter Sloterdijk)


O autor insere no cerne da falta de credibilidade política a "regra fundamental do pragmatismo, que diz que a gestão de um problema tem de ser considerada, até nova ordem, como a respectiva solução." (ibidem)

O político estaria, assim, entre dois fogos, a desmoralização e a paranóia.

Contudo, não me parece justo confundir um princípio com uma regra que se tenha de impor em todas as circunstâncias.

A regra monástica, por exemplo, funciona porque reduz as circunstâncias ao eremitério, mas um princípio é como uma estrela guiando-nos no mundo aberto.

No caso dos jacobinos, o fechamento, através da suspeita mútua e de uma interpretação paranóica dos acontecimentos, estava nas suas precárias cabeças.

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