quarta-feira, 5 de outubro de 2011

DO MAU PARA O MENOS MAU

Emil Cioran



"Devemos sempre alinhar pelo lado dos oprimidos em todas as circunstâncias, mesmo quando não têm razão, sem perder de vista que eles são moldados na mesma lama que os seus opressores."


"Fragments" (Cioran)




Infelizmente, isso vem a dar no mesmo que achar que eles, os oprimidos, merecem a sua sorte, já que se estivessem no mesmo lugar do opressor fariam igual...

É preciso, em vez disso, acreditar neles como se fossem portadores de futuro e de mais civilização. A  "classe operária" do movimento comunista é o melhor exemplo. A "exploração do homem pelo homem" pertencerá a um passado tenebroso no dia em que os "operários" tomarem o poder. As desilusões só podiam equivaler às esperanças infundadas de uma religião que fornecia, na história, a prova do seu fracasso.

Devido à apatia resultante dessa situação, a ideia da "mesma massa" tem prevalecido nas nossas sociedades, tirando o entusiasmo passageiro causado, por exemplo, pela nossa "revolução dos cravos". No caso das revoluções no norte de África, esse entusiasmo é muito mais ambíguo...

Parece, todavia, evidente que os "erros" dos que defendem os oprimidos não foram de todo inúteis, porquanto, pelo menos, obrigaram a opressão a mudar de forma. E a civilização não vai do mau para o bom, mas do mau para o menos mau.

0 comentários: