sexta-feira, 23 de junho de 2006

A CÂMARA VAZIA


O muezzin


"Ora, mesmo no túmulo de Mohammed", disse Leila, "sempre houve uma câmara vazia à espera do corpo de Jesus. De acordo com a profecia, ele deve ser enterrado em Medina, a fonte do Islão, lembra-se? E aqui no Egipto nenhum muçulmano sente senão respeito e amor pelo Deus cristão. Mesmo hoje. Pergunte a qualquer pessoa, pergunte a qualquer
muezzin (isto é o mesmo que dizer 'pergunte a quem quer que fale a verdade' - porque nenhum homem poluto, bêbedo, louco ou mulher é considerado elegível para pronunciar o Chamamento muçulmano à oração."

"Mountolive" (Lawrence Durrell)

Abundam, ao longo da história, os exemplos desta convivência, apesar das cruzadas.

A explicação do actual impasse no Médio-Oriente não podemos obtê-la de nenhuma última instância, de nenhuma estrutura que a religião escondesse.

Qualquer coisa de parecido, em negativo, com o que Hannah Arendt chama de Fundação (o princípio da autoridade no estado Romano), um acto irremissível, um "buraco negro" capturando todas as energias e todos os sentidos do futuro, mudou o mundo sem sabermos como.

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