domingo, 13 de outubro de 2013
DA TRISTE FIGURA
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| Dom Quixote |
sábado, 12 de outubro de 2013
A QUEDA DOS CORPOS
"La haine" (1995)
Em "O ódio" (1995-Mathieu Kassovitz), conta-se uma anedota que resume o filme: um homem cai abaixo dum edifício de 50 andares e vai dizendo para si, ao passar pelas janelas:
- até aqui, tudo bem; até aqui tudo bem.
A moral da história é, então, que o importante não é a queda, mas a aterragem.
E, hora a hora, a vida dos três marginais de "O ódio" é como uma vertigem, sem um momento para pensar.
A partir do momento em que um aparece com um revólver nas mãos, sabemos que a "aterragem" é uma questão de minutos.
Uma necessidade, nem por ser social e indefinível, menos imperiosa, actua sobre estes seres destituídos de qualquer autonomia, como outra lei da queda dos corpos.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
PEREGRINAÇÃO
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| Peregrinos |
" Se queres ir de Roma a Jerusalém, segue para sul e pergunta ao longo do caminho."
('Guia dos peregrinos a Santiago de Compostela' referido por Umberto Eco)
Não é por termos um mapa ou um GPS que os encontros e desencontros da vida deixam de se suceder. Mas se à partida temos de perguntar o caminho, a incerteza parece muito maior.
Não há dúvida que ao rodearmo-nos de tanta informação e de instrumentos cada vez mais precisos, satisfazemos um desejo de segurança e nos sentimos como que agarrados à realidade. Mas a precisão é muito relativa. A nossa segurança está assente em alguns mitos confortáveis.
Muitos, como Morin, consideram que a teoria do 'Big Bang', por exemplo, é um desses mitos. É menos ingénuo do que a Teogonia de Hesíodo? Talvez, mas isso é um exercício como o de Mark Twain em "Um americano na corte do rei Artur".
Calafetamos a nossa embarcação para a proteger do que não faz sentido. Coisas que estão no âmago do ser, mas com as quais a grande maioria não consegue conviver.
A morte, em primeiro lugar, claro. Não podemos iniciar a peregrinação sem perguntar pelo caminho...
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
O CHÁ DA TARDE
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| Fiama Hasse Pais Brandão |
com a chávena e a minha mão que são
o mesmo pedaço de calcário."
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
A INFERNAL VIRTUDE
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| "Hannah Arendt" (Margerete von Trotta) |
Ainda o filme de Margarete von Trotta sobre Hannah Arendt. Ligada ao julgamento de Eichmann, está tambem a questão da atitude ambígua dos conselhos judaicos. Essa atitude estaria entre a zona da responsabilidade e a da indiferença.
Como perfeccionistas da organização, os alemães aproveitaram a força dos laços tradicionais entre os judeus, a sua própria organização, como alavanca para os levar o mais ordenadamente possível para o matadouro. É aí que entram os famosos conselhos.
Não é preciso pensar no privilégio (desde logo o de terem mais probabilidades de salvar a própria vida) que isso representava para os que 'colaboraram' com as autoridades nazis, nem na justificação de esporadicamente poderem intervir a favor de um ou outro judeu. A verdade é que o caos ou a simples desorganização trariam, provavelmente, mais sofrimento desnecessário às vítimas.
Não é absurdo pensar que o mito da superioridade ariana produzisse, naqueles que eram tratados como menos que nada, o desejo de serem dignos ao menos como partícipes da eficiência, mesmo quando era dirigida contra eles.
O filme de Trotta revela como ainda é nova a percepção de Arendt. Porque a incapacidade de pensar, ou a falta de coragem para pensar são de todos os tempos.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
HANNAH ARENDT
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| "Hannah Arendt" (2013, Margarethe von Trotta) |
Pensar, verdadeiramente, é sempre um escândalo para
o 'sono dogmático'.














