domingo, 16 de março de 2014
LÓGICA E REALIDADE

"O eu filosófico não é o ser humano, não é o corpo humano ou a alma humana de que trata a Psicologia, mas o sujeito metafísico, o limite - não uma parte - do mundo."
"O sujeito pensante não existe."
"Tratado Lógico-Filosófico" (Ludwig Wittgenstein)
Ainda ninguém tinha dito tão claramente que uma das consequências de pensar o mundo é a de não nos podermos pensar a pensar, isto é, no meio das coisas que existem sem metafísica, como diria o poeta da "Tabacaria".
Passa-se o mesmo com a ideia de Deus que também não se pode dizer que exista, como objecto para si mesmo. A prova ontológica é, assim, um absurdo. A existência não é uma perfeição a acrescentar às outras porque, como diz Wittgenstein, Deus está no limite que permite pensar a existência.
Mas para o filósofo do "Tratado" a filosofia não pode aspirar a mais do que a uma crítica da linguagem, a fim de que esta "exprima claramente o que se pode exprimir", guardando silêncio quanto "àquilo de que não se pode falar".
Na hipótese solipsista, não há razão para não sermos inteiramente lógicos, visto que, por assim dizer, elidimos a natureza, e com ela todo o problemático. Hegel: "a natureza é tudo o que falta à lógica".
É isso, porém, que recusamos com todas as nossas fibras.
Só saio desta contradição regressando à posição dualista. E o que não existe ( o passado, o espírito) passa a ser real.
Isto é, o mundo e o limite têm de compreender-se no plano inter-subjectivo, onde natureza e lógica são representadas na linguagem.
Sobre esta filosofia, sem falhas, mas que se anula, estou com Bertrand Russell:
"sinto-me incapaz de estar certo da correcção duma teoria, simplesmente pelo facto de não ver onde ela possa estar errada."
sábado, 15 de março de 2014
RULE, BRITANNIA!

Deborah Kerr, espiritual e azougada, é o mesmo ideal de mulher em várias encarnações que humaniza o huno alemão e o seu amigo.
Mas por que, quando Candy apresenta a Kretschmar-Schuldorff uma imagem da falecida para o impressionar com a semelhança entre ela e a mulher que foi amada por ambos, se serve duma pintura, em vez de recorrer à fotografia?
Dir-se-ia que a amizade não sobreviveria à exactidão fotográfica.
sexta-feira, 14 de março de 2014
SOBREVIVÊNCIA
"A maior parte dos problemas - talvez todos - não são mais do que 'problemas de sobrevivência'"
quinta-feira, 13 de março de 2014
O PRÍNCIPE INANIMADO
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| Fernão Lopes nos Painéis de S. Vicente |
quarta-feira, 12 de março de 2014
MATERIAL EM BRUTO
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| John Le Carré |
"Estou mais interessado em falar com o jardineiro. Percebe o que quero dizer? Quero conhecer o material da vida em bruto. Não estou interessado em escritores."
(John Le Carré ao Expresso, 27/4/13)
Mas a vida ou a representação dela tem mais peles do que as que podemos contar.
O escritor pode ser o 'observador de monóculo' (como Raul Brandão descrevia Eça) e, para outro escritor, o seu material ser sempre de segunda mão. Todavia, onde está essa 'terra por lavrar' que nos daria o húmus autêntico de um povo? Onde está o homem tão completamente surdo ao ruído da 'colmeia mediática' que se aproxime desse ideal do 'material em bruto?
Por outro lado, não é, e não foi sempre, a própria literatura (como no 'texto infinito' de Barthes) o melhor material do escritor?
A verdade é que o 'mundo fora da literatura' talvez nem seja 'tratável'.
terça-feira, 11 de março de 2014
PRETENSÕES DE VALIDADE
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| http://glory2godforallthings.com/wp-content/uploads/2011/01/400px-descent_of_the_modernists_e-_j-_pace_christian_cartoons_1922.jpg |
"A modernidade busca os vestígios de uma escrita que já não promete a totalidade de uma coerência semântica, como fazia o livro da natureza ou a escritura sagrada."
Jürgen Habermas ("O Discurso Filosófico da Modernidade")
Como é que a racionalidade convive com esta dispersão do sentido das coisas? Os 'mundos paralelos' de que fala Michio Kaku talvez não sejam tão ficcionais ou especulativos quanto isso...
Toda a razão referida a uma totalidade é usurpadora. É um daqueles sofismas que Wittgenstein 'despachou' numa das suas frases lapidares. Não sabemos, nem podemos saber da totalidade. O melhor, pois, é não fazer frases, nem cálculos sobre isso.
Mas claro que os 'saberes' continuam a reivindicar o seu direito às extrapolações. O êxito das aplicações técnicas da razão instrumental é a taumaturgia de uma religião sem Deus.
Diz Habermas: "A transposição, 'sem mediação' do saber especializado para as esferas privadas e públicas do quotidiano pode, por um lado, pôr a autonomia e o sentido próprio dos sistemas de saber em perigo e, por outro lado, ferir a integridade dos contextos do mundo da vida. Um saber especializado apenas em pretensões de validade que, de modo contextualmente não específico, embata em toda a extensão do espectro de validade da práxis do quotidiano, desequilibra a infra-estrutura comunicacional do mundo da vida."
segunda-feira, 10 de março de 2014
MORTAL
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| Elias Canetti |












